9 de junho de 2017

Sopa primordial #4: o problema matemático


Muito antes da era da informação, pensava-se que as células eram muito simples, e era fácil raciocinar que a vida tivesse surgido por acaso. O próprio Darwin pensava que a célula era um simples protoplasma disforme, e ele concluiu que ela se desenvolveu em um “pequeno lago quente”. Mas, quando a humanidade começou a descobrir a maravilhosa complexidade da célula, tornou-se cada vez mais difícil se apegar a teorias do acaso. Os biólogos geralmente se refugiavam na ideia de um tempo quase infinito. Em razão disso - argumentavam - qualquer coisa pode acontecer. Ao longo de milhões de anos, o inesperado se torna provável e o improvável é transformado em inevitável. Por um período, os biólogos se saíram com essa argumentação - somente porque o número de milênios evocado era tão imenso que ninguém seria capaz de conceber o que aquele tipo de escala de tempo realmente significava.

Mas a revolução do computador colocou em xeque as hipóteses de que a vida tenha surgido por acaso. No início dos anos 1960, matemáticos começaram a escrever programas para simular cada processo debaixo do sol, e eles colocaram os olhos sobre a própria evolução. Debruçados sobre computadores de alta velocidade, simularam o processo de tentativa-e-erro da evolução neodarwiniana ao longo de equivalentes bilhões de anos. O resultado foi estremecedor: os computadores mostraram que a probabilidade de a evolução ter acontecido por um processo ocasional é essencialmente zero, não importando quanto tempo levasse.

Em 1966, em simpósio decisivo realizado no Instituto Wistar, na Filadélfia, um grupo de especialistas em computação apresentou seus achados para os biólogos dos EUA. A direção do evento foi conduzida por Murray Eden, do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), e Mareei Schutzenberger, da Universidade de Paris. No começo, os biólogos estavam com raiva da pretensão dos experts em computação por terem invadido seu território. Mas os números não podiam ser negados. Depois do simpósio, as teorias do acaso começaram a ser quietamente enterradas.

Conforme noticiou o site Criacionismo, os registros daquela conferência, Mathematical Challenges to the Neo-Darwinian Interpretation of Evolution (“Desafios Matemáticos à Interpretação Neo-darwiniana da Evolução”, Wistar Institute Press, 1966, n. 5), reportam vários desafios à evolução, apresentados por respeitados matemáticos e outros acadêmicos da conferência. Por exemplo, o presidente da conferência, Sir Peter Medawar, afirma logo no início:

“A causa imediata para esta conferência é o senso difundido de insatisfação com relação ao que tem sido aceito como teoria evolucionária no mundo de língua inglesa, a chamada Teoria Neodarwiniana... Há objeções feitas por colegas cientistas que sentem que, na teoria atual, algo está faltando... Essas objeções à teoria neodarwiniana atual são muito amplamente difundidas entre os biólogos em geral; e não devemos, penso eu, solucioná-las. O simples fato de realizarmos esta conferência é evidência de que não iremos solucioná-las” (Sir Peter Medawar, “Remarks by the Chairman”, in Mathematical Challenges to the Neo-Darwinian Interpretation of Evolution, Wistar Institute Press, 1966, n. 5, p. xi).

Vários cientistas, dentre eles alguns matemáticos, comentaram sobre alguns problemas com o neodarwinismo:

“Uma forma alternativa de olhar para o genótipo é como um algoritmo gerador, ao invés de um diagrama; uma receita para produzir um organismo vivo do tipo certo no ambiente adequado para seu desenvolvimento é um exemplo. Assumindo essa hipótese, o algoritmo deve ser escrito em alguma linguagem abstrata. A biologia molecular pode ter nos fornecido o alfabeto dessa linguagem, mas é um longo trajeto do alfabeto até à compreensão do idioma. Não obstante, uma linguagem tem regras, e essas são as maiores restrições num conjunto de mensagens possíveis. Nenhuma linguagem formal existente pode tolerar mudanças aleatórias nas sequências de símbolos que expressam as sentenças. Seu significado é quase que invariavelmente destruído. Quaisquer mudanças devem seguir leis sintáticas. Eu poderia conjecturar que o que alguém pode chamar de ‘gramática genética’ tem uma explicação determinística e não deve sua estabilidade à pressão da seleção atuando em variações aleatórias” (Murray Eden, “Inadequacies as a Scientific Theory”, in Mathematical Challenges to the Neo-Darwinian Interpretation of Evolution, Wistar Institute Press, 1966, n. 5, p. 11).

“Requerer-se-iam milhares, talvez milhões de mutações sucessivas para produzir até mesmo a mais simples complexidades que observamos na vida hoje. Parece que, ingenuamente, não importa o quão grande seja a probabilidade de uma única mutação, ainda que fosse tão grande quanto à metade, ter-se-ia essa probabilidade elevada à milionésima potência, o que é tão próximo a zero que as chances de o processo ocorrer parecem ser inexistentes” (Stanislaw M. Ulam, “How to Formulate Mathematically Problems of Rate of Evolution”, in Mathematical Challenges to the Neo-Darwinian Interpretation of Evolution, Wistar Institute Press, 1966, n. 5, p. 21).

“Não conhecemos qualquer princípio geral que explique como unir o diagrama visto por objetos tipográficos e as coisas que eles supostamente controlam. O único exemplo que temos para uma situação similar (fora da evolução da vida) é a tarefa de profissionais de inteligência artificial em criar sistemas adaptáveis. Sua experiência converge com a maioria dos observadores: sem uma programação prévia, nada de interessante pode ocorrer. Assim, para concluir, acreditamos que há uma falha (gap) considerável na teoria neodarwiniana da evolução, e que esse gap não pode ser solucionado com a atual concepção de biologia” (Marcel Schutzenberger, “Algorithms and Neo-Darwinian Theory”, in Mathematical Challenges to the Neo-Darwinian Interpretation of Evolution, Wistar Institute Press, 1966, n. 5, p. 75).

Esses são fortes argumentos de acadêmicos qualificados para avaliar a habilidade matemática de processos aleatórios/seletivos para produzir complexidade. Enquanto biólogos evolucionistas e outros tipos de biólogos podem produzir vários insights em biologia evolucionária, cientistas de outras áreas, não biólogos, bem como matemáticos, estão certamente qualificados para comentar sobre a falseabilidade da evolução neodarwiniana.

Como resultado, é comum hoje em dia ouvirmos proeminentes cientistas ridicularizarem a ideia de que a vida surgiu por acaso. O famoso astrônomo Sir Fred Hoyle compara essa tese como alinhar 10 elevado a 50 (dez com cinquenta zeros após) pessoas cegas, dando a cada uma delas um cubo mágico com os quadradinhos desordenados, e descobrir que todas encontraram a ordenação correta ao mesmo tempo.

OUTRO CÁLCULO

O químico Dr. Wilder-Smith calculou a imensa probabilidade contra a combinação de aminoácidos para formar as proteínas necessárias por meios indiretos. Ele estimou uma probabilidade de mais de 10 elevado a 67 para 1 (10^67:1) contra a formação de mesmo uma pequena proteína – pelo tempo e o acaso, em uma mistura ideal de substâncias químicas, em uma atmosfera ideal e fornecido o tempo de 100 bilhões de anos (uma idade de 10 a 20 vezes maior do que a suposta idade da Terra). 

Matemáticos geralmente concordam que, estatisticamente, qualquer probabilidade além de 1 em 10 elevado a 50 (1:10^50) tem zero chance de ocorrer alguma vez.

Qual foi a conclusão final do cálculo? O fato é que enfaticamente a vida NÃO poderia ter surgido espontaneamente em uma sopa primitiva desse tipo.

NOTA FINAL

“O matemático Granville Sewell, da Universidade do Texas, El Paso, aponta em um de seus artigos: 'Conheço muitos matemáticos, físicos e cientistas da computação que, como eu, estão atônitos por a explanação de Darwin para o desenvolvimento da vida ser tão aceita nas ciências biológicas' (“A Mathematician’s View of Evolution”, The Mathematical Intelligencer, v. 22 (4) (2000)). O motivo para a 'cegueira' dos biólogos evolucionistas, apesar das evidências de outros campos da ciência, foi muito bem resumido pelo jornalista Michelson Borges, ao comentar sobre o Simpósio Wistar, de 1966, no debate entre matemáticos e darwinistas sobre a probabilidade de o olho ter evoluído por meio da acumulação de pequenas mutações: ‘Ou seja: a evolução é um fato; o olho está aqui; então, independentemente do que digam os matemáticos, o olho evoluiu. Ponto final’ (A História da Vida, p. 46).”



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