25 de maio de 2017

Definindo nossa cosmovisão bíblica criacionista



Todo ser humano tem uma cosmovisão e, por meio dela, é possível enxergar o mundo ao seu redor. Podemos comparar a cosmovisão a um par de óculos de lentes coloridas que interferem no modo como enxergamos as evidências no mundo físico. Igual à história de Pollyana, vendo a vida através do seu óculos cor-de-rosa. Aquilo que pensamos do mundo, o que defendemos, o que vivemos, nossas expectativas, de onde viemos e para onde vamos fazem parte de nossa cosmovisão. Cosmovisão é a estrutura abrangente das crenças básicas de uma pessoa sobre as coisas. Mesmo quando não temos ideia das respostas a essas perguntas temos uma cosmovisão. Os cristãos bíblicos criacionistas vivem de acordo com a cosmovisão bíblica. Como a humanidade é diversificada ao extremo, nos mais distintos aspectos, existe uma gama muito variada de cosmovisões.

Para todo e qualquer cristão ser mais eficiente no cumprimento da sua grande comissão (Mateus 28:19, 20), é importante conhecer as premissas que caracterizam e diferenciam as variadas cosmovisões existentes. Para aquele que enxerga na apologética uma ferramenta útil para a propagação do Evangelho, o discernimento das cosmovisões é essencial.



Empresto as palavras de um grande teólogo e apologista quanto à definição do termo cosmovisão: “Modo pelo qual a pessoa vê ou interpreta a realidade. A palavra alemã é weltanschauung, que significa um ‘mundo e uma visão da vida’, ou ‘um paradigma’. É a estrutura por meio da qual a pessoa entende os dados da vida. Uma cosmovisão influencia muito a maneira em que a pessoa vê Deus, origens, mal, natureza humana, valores e destino.”[1]

James Sire, em seu livro O Universo ao Lado, define: “Cosmovisão é um comprometimento, uma orientação fundamental do coração, que pode ser expressa como uma história ou um conjunto de pressuposições (hipóteses que podem ser total ou parcialmente verdadeiras ou totalmente falsas), que detemos (consciente ou subconscientemente, consistente ou inconsistentemente) sobre a constituição básica da realidade e que fornece o alicerce sobre o qual vivemos, nos movemos e existimos.”

Nossas cosmovisões devem ser questionadas e testadas a todo o tempo. Se existe algum problema com sua cosmovisão, isso é um indicador de que algo não está devidamente correto.

Nossas cosmovisões influenciam o modo com que interpretamos o mundo. A ciência, como uma grande caixa de ferramentas, nos ajuda a encontrar evidências. A forma como enxergamos essas evidências é influenciada pelo conjunto de valores que temos, ou seja, nossa cosmovisão. Podemos exemplificar essas diferenças usando o exemplo da biogeografia.

BIOGEOGRAFIA
Evidência: Os continentes têm suas próprias fauna e flora distintas. Na África, por exemplo, encontramos rinocerontes, hipopótamos, leões, hienas, zebras, girafas, chimpanzés e gorilas. Na América do Sul, não temos nenhum desses animais. Em vez disso, é o lar de pumas, jaguares, guaxinins, gambás e tatus. Marsupiais são encontrados na Austrália e na América do Sul, mas não na Europa.

LENTE EVOLUCIONISTA ANALISANDO A EVIDÊNCIA
Os evolucionistas afirmam que a explicação mais razoável para essas distribuições biogeográficas é que os diferentes animais e as plantas evoluíram separadamente, a partir de ancestrais que colonizaram diferentes áreas do mundo há milhares ou milhões de anos.

LENTE CRIACIONISTA ANALISANDO A EVIDÊNCIA
Os criacionistas, no entanto, podem se voltar para a Bíblia em busca de pistas para a compreensão da distribuição global da fauna e flora. De acordo com isso, uma recolonização do mundo começou imediatamente após o Dilúvio de Gênesis, quando as águas baixaram (Gênesis 8). Os animais ao desembarcaram da arca puderam criar rotas de migração. Outros contaram com a vegetação flutuante, levando sementes, insetos, anfíbios, répteis e pequenos animais para as terras emergentes. Modelos criacionistas concentram-se em quatro processos principais que teriam influenciado a biogeografia após o dilúvio:

1. Transporte transoceânico em esteiras de vegetação.
2. Transporte pelo ser humano.
3. Migração e extinção parcial.
4. especiação.

Existem sete cosmovisões básicas; são sete matrizes das quais as demais formas de enxergar o todo derivam: Teísmo, Deísmo, Ateísmo, Panteísmo, Panenteísmo, Teísmo Finito e Politeísmo. Algumas cosmovisões compartilham algumas compatibilidades entre si. Veja um pouco de cada uma na tabela abaixo:

Sistema
Cosmovisão
Expresso no:
Teísmo
Um Deus infinito e pessoal existe além do e no universo; criou todas as coisas e sustenta tudo de modo sobrenatural.
Judaísmo, Islamismo e Cristianismo.
Deísmo
O deísmo é uma posição filosófica naturalista que acredita na criação do universo por uma inteligência superior (que pode ser Deus, ou não), por meio da razão, do livre pensamento e da experiência pessoal, em vez dos elementos comuns das religiões teístas como a revelação direta, ou a tradição.
Pensamento de Voltaire, Thomas Jefferson e Thomas Paine.
Ateísmo
A grande maioria pensa que não existe nenhum Deus além do ou no universo. Tudo o que existe é energia espaço e matéria. 
Pensamento de Karl Marx, Friedrich Nietzsche e Richard Dawkins.
Panteísmo
Deus é o todo/universo. Não há um criador distinto, criador e criação são a mesma realidade. O universo é Deus, a matéria é Deus, as pessoas o são. Tudo é Deus.

Certas formas de hinduísmo, Zen-Budismo e Ciência Cristã.
Panenteísmo
Deus está no universo, como a mente está no corpo. O universo é o "corpo" de Deus, seu polo real e tangível. O outro polo está além deste plano.
Pensamento de Alfred Whitehead e Charles Hartshorne.
Teísmo finito
Existe um Deus finito além do e no universo. Deus é limitado em natureza e poder. Aceitam a criação, mas negam a intervenção.
Pensamento de John Stuart Mill, William James e Peter Bertocci.
Politeísmo
Muitos deuses existem além do mundo e nele. Tais deuses influenciam a vida das pessoas. Nega qualquer Deus infinito.
Gregos e romanos antigos, mórmons e neopagãos (wicca).

Partindo da cosmovisão teísta cristã, colocando as lentes criacionistas em ação, iremos elencar as principais afirmações que são alicerces de nossa percepção de mundo.

COSMOVISÃO BÍBLICA CRIACIONISTA 

No livro The Earth: Origins and Early History, o Dr. Clyde L. Webster Jr. apresenta um bom resumo dos aspectos que os criacionistas aceitam como válidos:

1. Deus ordenou que aparecesse a matéria física do Universo e chamou à existência os ancestrais das criaturas viventes atuais.

2. As obras criadoras de Deus se manifestaram durante o limitado período de tempo de seis dias de 24 horas. (Alguns incluem a criação de todo o Universo nesse espaço de tempo, ao passo que outros incluem somente a criação da matéria orgânica viva da Terra.)

3. Embora reconheça que as formas vivas se modificam, tais mutações são limitadas e não progressivas.

4. Com a queda espiritual do ser humano, houve uma mudança na natureza. O pecado causou decadência e o afastamento do original e perfeito plano criativo de Deus. Essas forças ainda se encontram em atividade nos dias de hoje.

5. A superfície da Terra foi dramaticamente alterada por meio de uma catástrofe global, conhecida como o dilúvio de Gênesis. Muitas espécies de plantas e animais foram extintas durante os eventos ocorridos naquela ocasião.

6. O mundo de hoje é apenas um reflexo distorcido da criação original. Por causa dessa distorção e decadência, os registros do passado talvez não sejam totalmente confiáveis, ou facilmente interpretados.

7. Tão somente por meio do conhecimento que provém da revelação sobrenatural é que se pode compreender o verdadeiro registro da história passada da Terra.

8. O infinito poder de Deus continua sustentando e controlando o Universo.

REFERÊNCIAS:
[1] GEISLER, Norman L. Enciclopédia de apologética. São Paulo, SP: Editora Vida, 2002. p.188
http://www.napec.org/
https://www.internautascristaos.com/textos/artigos/cosmovisao-o-que-e

5 comentários:

  1. Essa colocação sobre o deísmo não tem lógica e sentido, seja ela vinda dos próprios deístas declarados ou assim expressa por quem tem uma visão diferente.

    Se o universo foi criado por uma inteligência superior, como pode essa inteligência não ser Deus ("pode ser Deus, ou não")? Ora, se é uma inteligência superior, então é Deus. A não ser que cogitem que um humano primordial tenha dado origem aos demais humanos, aos animais, a terra, ao mar, as estrelas, planetas e tudo o mais.

    Entende? Se é uma inteligência superior, então naturalmente é Deus. A não ser que cogitem a possibilidade de ser um intermediário de Deus mas que é um ET.

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  2. Olá leitor Anônimo. Realmente vemos algumas situações não lógicas em certas cosmovisões por aí. A definição que apresentamos foi retirada do próprio conteúdo Deísta declarado.

    Sempre digo : Devemos questionar e testar nossas cosmovisões a todo instante. Será que nossas cosmovisões estão respondendo nossas perguntas ?

    Grande abraço e obrigado por comentar !

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  3. Amém! Deus, seja louvado pela cosmovisão teísta cristã!! ... Muito obrigado pelo texto...

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  4. Olha num é por nada, mas os mórmons é politeista??

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    1. Eu entendo que o Mormonismo é politeísta porque ensina que o Pai, o Filho e o Espírito Santo são três deuses distintos.

      O Mormonismo é essencialmente politeísta. Mas devemos estar certos de que estamos usando os *nossos* termos. Na terminologia católica, “Divindade” é um outra forma de nos referirmos à Trindade, na qual entendemos a Divindade como um Deus compreendido por três Pessoas divinas – não três deuses distintos. Politeísmo significa a adoração de uma pluralidade de deuses.

      Alguns mórmons, reconhecendo que sua teologia é politeísta, preferem suavizá-la afirmando que a sua religião é “henoteísta”, o que significa que crêem em muitos deuses, mas adoram um deus principal.

      Joseph Smith, o fundador da igreja mórmon, declarou: “Eu sempre declarei que Deus é uma personagem diferente; que Jesus Cristo [é] personagem distinta e separado de Deus Pai; e que o Santo Espírito é uma personagem distinta e espírito; e que estes três constituem três personagens distintas e três Deuses distintos” (Ensinamentos do Profeta Joseph Smith, página 370 [versão em inglês]).

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